Paula Rego e Salette Tavares: cartografias da criatividade feminina nos anos 70

Paula Rego - Armário, 1972 (Coleção Salette Brandão)

Paula Rego | Armário, 1972 | Aguarela e tinta da China sobre papel, 25 x 21 cm | Coleção Salette Brandão

Inaugura no próximo dia 5 de novembro, às 19h30, a exposição Paula Rego e Salette Tavares: cartografias da criatividade feminina nos anos 70, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Por ocasião desta exposição resultará um e-catálogo, editado pela investigadora do IHA Leonor de Oliveira (GI MuSt) e Catarina Alfaro, ambas comissárias da exposição.

Este catálogo, que será disponibilizado online e em acesso aberto, tem por objetivo divulgar a um público mais alargado os resultados da investigação desenvolvida no âmbito do IHA seed-project “Cartografias da criatividade feminina, 1974-1979: análise e criação de um repositório online”. Esta publicação insere-se na comemoração dos 100 anos do nascimento de Salette Tavares e antecipa a celebração dos 50 anos do 25 Abril, procurando promover uma reflexão crítica sobre a revolução e o processo de democratização que se seguiu.
Centrado na relação de amizade e companheirismo artístico de Paula Rego e Salette Tavares, a exposição e respetivo catálogo pretendem explorar o contributo da criatividade feminina não só para a análise crítica do panorama artístico português pós-revolucionário, mas sobretudo para a revelação dos gestos e corpos, os pontos de vista e as experiências das mulheres neste período, tornando assim possível, hoje em dia, a sua inscrição na narrativa e reflexão sobre este momento histórico de transição da ditadura para a democracia.
Paula Rego e Salette Tavares foram agentes na redefinição cultural e artística do país ao longo dos anos 1970. O trabalho de Paula Rego deu resposta nesta década ao entusiasmo por uma arte experimental que desafiasse as narrativas cristalizadas pela ditadura. Por sua vez, o papel de Salette Tavares enquanto crítica de arte e presidente da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte (1974-1977) colocou-a numa posição privilegiada para introduzir novas leituras sobre a prática artística e contribuir para as novas políticas artísticas e culturais após a queda da ditadura. Os seus textos destacaram ainda o trabalho de artistas portuguesas, sobretudo de Paula Rego, e associaram diretamente a arte experimental à transformação democrática do país.

 


“Paula Rego e Salette Tavares: cartografias da criatividade feminina nos anos 70”
Editoras: Leonor de Oliveira e Catarina Alfaro
Editora: Casa das Histórias Paula Rego; co-edição IHA
Ano: 2022