
Fórum Internacional
CARE – Contemporary Arts Activism for Reproductive Healthcare
14 de junho, 2027
Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
Chamada de trabalhos: até 5 de janeiro de 2027
O fórum internacional Contemporary Arts Activism for Reproductive Healthcare é o evento culminante do projeto financiado pela FCT project ‘Contemporary Arts Activism for Reproductive Healthcare in Portugal: CARE’. Concebe-se como um espaço dialógico vibrante para a investigação artística contemporânea, o conhecimento e a cultura editorial, centrado na novella gráfica (a ser lançada durante o Fórum de um dia) co-criada por artistas portuguesas: Marta Condez, Carla Cruz, Salomé Paiva, Cátia Ramos e Basia Sliwinska, bem como por Bruno Marques, da equipa do CARE.
Organizado pelo CARE em colaboração com a Biblioteca de Arte da Gulbenkian, o Fórum realiza-se propositadamente numa das melhores bibliotecas de arte privadas da Europa, que possui uma coleção extensa e diversificada de materiais dedicados à história da arte, à arquitetura, à fotografia e às artes visuais modernas e contemporâneas. Esta colaboração única coloca em destaque a filosofia do Fórum, concebido como um evento de longa duração desenvolvido através da e em colaboração com a Biblioteca de Arte Gulbenkian, com o objetivo de a dinamizar enquanto plataforma pública, orientada para as artes e a investigação, que estabelece uma interface entre práticas e processos artísticos, políticas feministas, cuidados de saúde reprodutiva, ativismo e culturas editoriais.
Convite à participação
O recente e significativo aumento global dos movimentos de extrema-direita, nacionalistas e populistas é acompanhado por uma mobilização política renovada do discurso cristão que compromete os direitos reprodutivos. Este discurso defende o modelo conservador da família nuclear, reproduzindo estruturas coloniais cis-heteropatriarcais que põem em risco a autonomia reprodutiva. As suposições sobre o que está clinicamente disponível e legalmente permitido contrastam fortemente com a realidade vivida no acesso aos cuidados de saúde reprodutiva. Além disso, as necessidades e os desejos reprodutivos individuais são frequentemente negligenciados, desacreditando as mulheres (em toda a sua diversidade) como agentes fiáveis dos seus próprios corpos.
A utilização das artes na investigação em saúde está bem documentada, nomeadamente como ferramenta geradora de resultados práticos (por exemplo, dados, comunicação de resultados ou experiências). No entanto, essa abordagem centra-se nos resultados estéticos, em vez de nos processos ativistas artísticos, que possuem uma capacidade notável para impulsionar a transformação nos cuidados de saúde reprodutiva. Este Fórum aborda este potencial no contexto de Portugal. Interligando a política dos direitos e da justiça e reconhecendo a experiência pessoal, o Fórum reflete com e através das artes para, nas palavras de Elke Krasny (2025) ‘pay feminist attention’. O Fórum coloca em primeiro plano o conhecimento proveniente do corpo: o portador dos testemunhos reprodutivos.
Através de diversos formatos de contribuição, os participantes são convidados a debruçarem-se sobre as seguintes questões:
- De que forma as práticas de ativismo artístico podem revelar as barreiras persistentes ao acesso aos cuidados de saúde reprodutiva para as mulheres em toda a sua diversidade?
- De que forma a narrativa pode traduzir visualmente experiências complexas e muitas vezes silenciadas relacionadas com os cuidados de saúde reprodutiva para públicos fora do contexto académico?
- Quais são os métodos e estratégias específicos que o ativismo artístico gera, não só para revelar falhas sistémicas e experiências situadas e vividas silenciadas, mas também para defender mudanças concretas nas políticas e nas práticas?