No contexto da exposição Uma deriva atlântica. As artes do século XX a partir da Coleção Berardo, patente no MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura até 31 dez. 2025, o IHA associou-se ao Ciclo Derivas a partir de uma exposição e organiza, numa colaboração conjunta, duas conferências com historiadores de arte a ter lugar no mês de outubro.
Codificar e descodificar modernidades artísticas — uma abordagem global, uma leitura distanciada
Conferência com Béatrice Joyeux-Prunel (Professora e diretora da cátedra de Humanidades Digitais na Universidade de Genebra)
Sábado, 11 de outubro, às 16:00
Conferência proferida em inglês
Sinopse:
Como reescrever a história da arte de forma mais global, social e equilibrada? Os métodos tradicionais de análise de obras, arquivos e memórias têm-se cingido a uma lógica hierárquica e difusionista, concebida para justificar a influência de algumas «estrelas» e de certos centros (nomeadamente Paris e Nova Iorque). Para alargar esse campo de visão, há que complementar os métodos clássicos com novas perspetivas.
Existem duas abordagens que se revelam especialmente úteis neste sentido: as ferramentas digitais e a perspetiva geopolítica. Ambas contribuem para moldar uma história das modernidades artísticas mais descentralizada e adaptável e abrem novas perspetivas sobre a formação do cânone artístico atual — e sobre as formas de o contestar.
Primitivos em Paris, modernos no Brasil
Com Rafael Cardoso (historiador da arte e autor de Modernidade em preto e branco: Arte e imagem, raça e identidade no Brasil, 1890–1945)
Sábado, 18 de outubro, às 16:00
Sinopse:
O problema do primitivismo voltou com força no século XXI, emaranhado com as disputas em torno da contracolonialidade. O quadro A negra (1923), de Tarsila do Amaral, desperta controvérsia hoje pelo modo problemático que representa um corpo racializado. No seu tempo, pretendeu-se moderno. Pintado em Paris, a obra faz parte de um esforço de consagração da arte brasileira na capital francesa.
Esta conferência centra-se nas tentativas de inserção de alguns artistas e intelectuais brasileiros, com destaque para Tarsila e Vicente do Rego Monteiro. Ambos se aproximaram do primitivismo, então em voga, com o intuito de obter reconhecimento no meio artístico parisiense. De seguida, ambos se posicionaram no Brasil como representantes do modernismo avançado. Elucidar as estratégias desenvolvidas, pontuando semelhanças e diferenças, ajuda a aprofundar o nosso entendimento da dialética entre primitivismo e cosmopolitismo. É dada atenção especial ao movimento Pau Brasil, salientando a sua especificidade conceptual como desafio à colonialidade.
A participação nas conferências é gratuita, mediante aquisição do bilhete de entrada no Museu.

