Cristiana Tejo recebe Prémio Sérgio Milliet da Associação Brasileira de Críticos de Arte

Cristiana Tejo, curadora, escritora e investigadora do Instituto de História da Arte, foi distinguida com o Prémio ABCA 2026 – Sergio Milliet, atribuído pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), na categoria destinada a trabalhos de investigação publicados.

Criado em homenagem ao crítico, escritor e gestor cultural Sérgio Milliet (1898–1966), o prémio distingue anualmente contribuições de destaque para a reflexão crítica e a investigação no campo das artes visuais no Brasil, sendo uma das mais importantes distinções concedidas pela crítica de arte brasileira.
O prémio foi atribuído ao livro A gênese da curadoria no Brasil a partir das trajetórias de Aracy Amaral, Frederico Morais e Walter Zanini, publicado pela editora Propágulo. Resultado da investigação de doutoramento desenvolvida por Cristiana Tejo na Universidade Federal de Pernambuco, a obra procura preencher uma lacuna historiográfica ao analisar a formação do campo da curadoria no Brasil entre as décadas de 1940 e 1980.
A partir do estudo de instituições fundamentais para a constituição do sistema artístico brasileiro — como o MASP, o MAM-SP, o MAM Rio e a Bienal de São Paulo — e da atuação de figuras centrais como Assis Chateaubriand, Pietro Maria Bardi, Lina Bo Bardi e Mário Pedrosa, o livro examina o surgimento da prática curatorial no país antes mesmo de esta ser formalmente reconhecida como profissão. A investigação centra-se particularmente nas trajetórias de Aracy Amaral, Frederico Morais e Walter Zanini, identificando diferentes modelos de atuação curatorial que contribuíram para a consolidação do campo.
Ao demonstrar que a curadoria brasileira emergiu sobretudo a partir da crítica de arte — e não da museologia e da conservação, como ocorreu em muitos contextos europeus e norte-americanos — o livro oferece uma nova perspetiva sobre a especificidade histórica da curadoria no Brasil e a sua contribuição para o pensamento curatorial internacional.
A distinção reconhece não apenas a relevância historiográfica da obra, mas também a sua contribuição para os estudos sobre curadoria, crítica de arte e instituições culturais, áreas que integram igualmente as linhas de investigação desenvolvidas no IHA.