Exposição ‘Tereza Arriaga: Percursos de Arte e Vida’ | Visita guiada e Mesa-redonda 6 e 19 nov.

A exposição “Tereza Arriaga: Percursos de Arte e Vida” está patente até 12 de dezembro, com entrada gratuita, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras. Tem a curadoria de Raquel Henriques da Silva, Professora Catedrática Jubilada da NOVA FCSH e investigadora do IHA, e de Emília Margarida Marques.
A mostra reúne um vasto conjunto de obras da artista, incluindo desenhos a carvão, aguarelas, pinturas a óleo e fotografia. Em paralelo com os principais ciclos da sua produção artística, são igualmente destacados aspetos relevantes da sua biografia.
No âmbito da exposição, vão ter lugar duas mesas-redondas no mês de novembro, antecedidas de uma visita guiada com as curadoras.

‘Sofri o machismo das leis portuguesas’: pensar feminismos ontem e hoje, a partir de Tereza Arriaga

Com Antónia Pedroso de Lima (Iscte-IUL), Paula Godinho (IHC-NOVA FCSH/IN2PAST) e Regina Marques (MDM), moderação de Emília Margarida Marques (CRIA-Iscte/IN2PAST).
6 de novembro de 2026 | 18h-20h: mesa-redonda
17h: Visita guiada à exposição
Sinopse e bios

Nascida em 1915, Tereza Arriaga recebeu, na juventude, a educação convencional no seu tempo e grupo social, dirigida às competências de governo e prestígio da casa esperadas da mulher das elites. Determinada e frontal na recusa deste papel e do lugar de subordinação feminina que lhe corresponde, vai construir, antes, uma carreira profissional e um notável percurso de criação artística – ao longo dos quais, contudo, inevitável e repetidamente se depara com a desigualdade de género, instituída e insidiosa. Reage, nos anos 1940, com um intenso ativismo antifascista e feminista e, por toda a sua vida quase centenária, com uma escrita pessoal de continuada observação e reflexão incluindo, sempre, sobre a condição e a dignidade das mulheres.

Temas de hoje, num mundo em que persistem a violência e a discriminação de género, em que as mulheres são frequentemente limitadas no acesso à educação, à remuneração digna, à voz no espaço público. Em que a desigualdade de género se entrelaça com outras dinâmicas de subordinação e exploração, e em que mantêm ou (re)adquirem presença visões retrógradas e subordinantes do feminino. Em que, ao mesmo tempo, muitas mulheres prosseguem e reinventam modos feministas de pensamento, resistência, criação e ação coletiva.

Sobre género e feminismos, com inspiração no percurso e obra de Tereza Arriaga, dialogaremos em mesa-redonda com Antónia Pedroso de Lima, Paula Godinho e Regina Marques.

Antónia Pedroso de Lima

Antropóloga. Professora Associada com Agregação no Iscte, onde dirige o mestrado em Estudos Interdisciplinares sobre Género e Sexualidade. Investigadora do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia). Estuda, entre outros temas, as relações familiares nas sociedades contemporâneas e as práticas de cuidado e reprodução social em situações de crise e precariedade.  Co-directora do Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival.

Paula Godinho

Antropóloga. Professora na NOVA-FCSH e investigadora no Instituto de História Contemporânea IHC-NOVA. Realizou vários anos de trabalho de campo em Portugal (Trás-os-Montes e Ribatejo), na fronteira, na Galiza, no Ceará-Brasil, no México, sobre reprodução social, festas, resistência, movimentos sociais, temporalidades e construção do futuro, usos da memória e do património, mercantilização da cultura, topografias do poder e culturas de fronteira.

Regina Marques

Psicóloga e especialista em comunicação. Professora aposentada do Instituto Politécnico de Setúbal, onde coordenou o Curso de Comunicação Social e o Departamento de Comunicação, e presidiu ao Conselho Científico. Investiga nas áreas da comunicação, retórica e argumentação, género, direitos das mulheres e história do ativismo feminino. Integra os órgãos diretivos do Movimento Democrático de Mulheres e da Federação Democrática Internacional de Mulheres, assim como o Conselho Consultivo da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

Emília Margarida Marques (moderação)

Antropóloga. Investigadora associada no Centro em Rede de Investigação em Antropologia – CRIA-Iscte / IN2PAST. Estuda, entre outros temas, o trabalho e as práticas técnicas na indústria transformadora, memórias do trabalho, história da indústria vidreira e dos vidreiros, usos do passado e memória local, usos do filme documental na industrialização portuguesa.

A pintura de Tereza Arriaga: temas, modos, escrita

Com Isabel Sabino (FBAUL), Paula Morão (FLUL) e Sandra Leandro (UÉvora e IHA-NOVA FCSH/IN2PAST), moderação de Raquel Henriques da Silva (IHA-NOVA FCSH/IN2PAST).
19 de novembro de 2026 | 18h-20h: mesa-redonda
17h: Visita guiada à exposição
Sinopse e bios

A pintura de Tereza Arriaga foi até agora praticamente desconhecida. A sua estética é peculiar e de difícil contextualização na cena artística portuguesa dos anos de 1970, quando eclode como um processo poético de auto indagação e de questionamento dos desacertos do mundo, do ponto de vista de uma ecologia cósmica mas também de uma ética cívica. Por isso, há uma continuidade com a primeira fase da sua carreira, quando, em 1945, retratou, com profundo humanismo, os meninos operários da Nacional Fábrica de Vidros da Marinha Grande, onde foi professora e activista em prol de causas sociais e culturais.

Apaixonada pelo acto de pintar, Tereza foi também poeta, tecendo elos sugestivos entre estes dois domínios artísticos que, na última fase da sua carreira, profundamente se entrosam, juntamente com uma importante produção textual sobre os seus modos de ser pessoa que pinta e escreve.

Os desafios que esta obra  nos coloca vão ser abordados a partir da reflexão de Isabel Sabino, Paula Morão e Sandra Leandro, com moderação de Raquel Henriques da Silva.

Isabel Sabino

Professora Catedrática Aposentada da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, com trabalho artístico exposto (principalmente de pintura) desde 1977 e diversos textos publicados também sobre pintura e arte contemporânea.

Paula Morão

Professora Emérita da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Entre 2007 e 2009 exerceu as funções de Directora – Geral do Livro e das Bibliotecas (Ministério da Cultura). Ensaísta e critica Literatura portuguesa dos séculos XIX, XX e XXI, especialmente focando relações com as artes plásticas, e obras de autoria feminina.

Raquel Henriques da Silva

Professora catedrática Jubilada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Departamento de História da Arte. Autora de estudos de investigação e divulgação nas áreas do urbanismo e arquitectura (século XIX-XX), artes plásticas e museologia.

Sandra Leandro

Historiadora de Arte. É desde 2021 Directora do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora. Professora Associada na Universidade de Évora e Investigadora do IHA, FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Além de outras áreas tem comissariado e publicado ensaios sobre mulheres artistas.


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