Entre o marginal e o institucional | Artigo publicado no âmbito do IHA seed-project Tessituras da Loucura

Alfredo dos Santos. Sem título. 1933?. Desenho a lápis grafite sobre papel. 31×41 cm. Inv. nº. CHPL.HMB.0259

 

Entre o marginal e o institucional: a outsider art e o arquivo psiquiátrico do Hospital Miguel Bombarda

https://doi.org/10.20396/rhac.v5i1.18643

 

O artigo da autoria de Stefanie Gil Franco e Clara N. Forte foi recentemente publicado na Revista de História da Arte e da Cultura (Unicamp, Brasil), resultado do IHA seed-project Tessituras da loucura. Memória, arte e preservação do património hospitalar do “Bombarda”.

O projeto, desenvolvido ao longo do ano de 2023, teve a coordenação da investigadora do IHA Stefanie Gil Franco (GI MuSt) e contou com Clara N. Forte como bolseira de investigação. Ao longo de seis meses, foram realizados o inventário e a conservação preventiva de 1934 obras (desenhos, pinturas, pequenas esculturas e cerâmicas) produzidas por pessoas institucionalizadas no Hospital Miguel Bombarda no decurso do século XX. Trata-se de uma coleção única, com um século de existência, que narra a história da prática expressiva nesta instituição a partir de diversas perspetivas: a contar com desenhos livres ou feitos sob a demanda de análises médicas, até obras mais elaboradas e realizadas em meios terapêuticos. A coleção de arte do ‘Bombarda’ tornou-se uma questão patrimonial nos últimos vinte anos e, em especial, após o encerramento do hospital. Permitindo uma narrativa crítica, o artigo procura dar a compreender o significado da constituição de uma coleção de arte em meio hospitalar, a partir da noção de patrimónios difíceis:
Os objetos destas coleções são  “difíceis”  não  apenas  pela  sua  materialidade,  mas  pela  carga simbólica  de  que  estão  cativos.  Desde logo, porque  são  produzidos  por  indivíduos  que  acumulam  os rótulos  ou  designações  de  ‘utente’,  ‘doente’,  ‘autor’  e  ‘artista’, representantes   de   uma   expressão condicionada pela doença mental. Depois, porque são afetos a uma tutela hospitalar, que reclama para si a propriedade destes objetos, uma vez produzidos no seu contexto. E, ainda, porque são testemunhos com   o   potencial   de   subverter   a   narrativa   histórica   dominante   sobre   as   instituições   psiquiátricas, reivindicando novas histórias centradas nas experiências particulares dos indivíduos.
O artigo está disponível em acesso aberto na RHAC, vol. 5 n.º 1 (junho 2024).