
Entre o marginal e o institucional: a outsider art e o arquivo psiquiátrico do Hospital Miguel Bombarda
https://doi.org/10.20396/rhac.v5i1.18643
O artigo da autoria de Stefanie Gil Franco e Clara N. Forte foi recentemente publicado na Revista de História da Arte e da Cultura (Unicamp, Brasil), resultado do IHA seed-project Tessituras da loucura. Memória, arte e preservação do património hospitalar do “Bombarda”.
O projeto, desenvolvido ao longo do ano de 2023, teve a coordenação da investigadora do IHA Stefanie Gil Franco (GI MuSt) e contou com Clara N. Forte como bolseira de investigação. Ao longo de seis meses, foram realizados o inventário e a conservação preventiva de 1934 obras (desenhos, pinturas, pequenas esculturas e cerâmicas) produzidas por pessoas institucionalizadas no Hospital Miguel Bombarda no decurso do século XX. Trata-se de uma coleção única, com um século de existência, que narra a história da prática expressiva nesta instituição a partir de diversas perspetivas: a contar com desenhos livres ou feitos sob a demanda de análises médicas, até obras mais elaboradas e realizadas em meios terapêuticos. A coleção de arte do ‘Bombarda’ tornou-se uma questão patrimonial nos últimos vinte anos e, em especial, após o encerramento do hospital. Permitindo uma narrativa crítica, o artigo procura dar a compreender o significado da constituição de uma coleção de arte em meio hospitalar, a partir da noção de patrimónios difíceis:
Os objetos destas coleções são “difíceis” não apenas pela sua materialidade, mas pela carga simbólica de que estão cativos. Desde logo, porque são produzidos por indivíduos que acumulam os rótulos ou designações de ‘utente’, ‘doente’, ‘autor’ e ‘artista’, representantes de uma expressão condicionada pela doença mental. Depois, porque são afetos a uma tutela hospitalar, que reclama para si a propriedade destes objetos, uma vez produzidos no seu contexto. E, ainda, porque são testemunhos com o potencial de subverter a narrativa histórica dominante sobre as instituições psiquiátricas, reivindicando novas histórias centradas nas experiências particulares dos indivíduos.
O artigo está disponível em acesso aberto na RHAC, vol. 5 n.º 1 (junho 2024).
